Depois de quase oito meses no ar, "A Nobreza do Amor" chegou ao fim na noite desta sexta-feira (6), deixando os fãs da história de Batanga órfãos. Escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., a novela das seis apostou em uma mistura de romance, aventura, ancestralidade africana e discussões sociais importantes, conquistando uma torcida fiel nas redes sociais.
A obra teve a coragem de colocar uma princesa negra no centro de uma história sobre poder, racismo, colonialismo e resistência, sem deixar de lado o romance que movimentou a trajetória de Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto). E o último capítulo fez jus a boa parte dessa construção, com direito à recuperação do trono de Batanga, mortes de vilões, reencontros e um salto temporal que abriu possibilidades para o futuro da família real!
Contudo, nem tudo saiu como esperado. Se alguns personagens tiveram despedidas à altura de suas trajetórias, outros ganharam finais que levantaram questionamentos sobre justiça, responsabilidade e até coerência narrativa. Nas redes sociais, espectadores comemoraram determinadas escolhas, mas também demonstraram insatisfação com a maneira como a novela resolveu o destino de figuras como Virgínia (Theresa Fonseca) e Mirinho (Nicolas Prattes).
Vamos aos acertos e erros desse encerramento, minha gente!
Vamos começar pelo básico: seria difícil aceitar um encerramento sem a união de Alika e Tonho. Depois de tantas separações, perseguições, ameaças e obstáculos impostos por Jendal (Lázaro Ramos), os protagonistas finalmente conseguiram ficar juntos!
A descoberta da origem nobre de Tonho, que retira do baobá sagrado a adaga pertencente ao rei Shaka, também foi uma boa maneira de amarrar a trajetória do personagem. O rapaz, que começou a história como trabalhador de um engenho em Barro Preto, descobre sua linhagem real e assume o trono como Cayman IV, ao lado de Alika.
A coroação e o casamento simbolizam a reconstrução de Batanga depois da ditadura e o nascimento de Ayana, primeira filha dos dois, dá continuidade à dinastia. É um encerramento bonito para uma história que sempre colocou o amor e a responsabilidade com o próprio povo em lados aparentemente opostos!
A passagem de aproximadamente 100 anos foi uma das escolhas mais interessantes do capítulo. Em vez de simplesmente encerrar a história com a coroação e o nascimento da herdeira, a novela mostrou o que aconteceu com Batanga depois de tantas transformações!
O público conhece Safiya, descendente de Alika e Tonho, em uma nação que alcançou desenvolvimento tecnológico e preservou sua soberania. A inauguração de um centro tecnológico mostra um reino muito diferente daquele submetido à exploração e ao autoritarismo de Jendal.
A decisão também deixa uma porta aberta para novas histórias. Com a onda de continuações e revisitações de novelas que movimenta a televisão, como Avenida Brasil 2 e Êta Mundo Melhor!, quem sabe Batanga não volta às telas um dia? Não existe confirmação de uma sequência, mas a estrutura escolhida pelos autores permite imaginar novos capítulos dessa dinastia... Apoiariam?
Um dos momentos mais aguardados era o reencontro entre Alika e Virgínia. E a protagonista não decepcionou ao finalmente colocar a antiga rival diante das consequências de suas atitudes!
Agora como rainha de Batanga, Alika não precisa mais disputar espaço com a mulher que passou boa parte da trama tentando destruí-la. Ao aceitar uma última conversa, ela deixa claro que não sente ódio, mas pena da rival, que desperdiçou tanto tempo tentando conquistar o amor de Mirinho.
"A sua dor é porque você nunca aceitou que Mirinho não te amasse. E porque no fundo você ainda acha que merece privilégios", disparou a diva, escancarando o racismo da rival.
E quem reparou no cabelo do descendente de Jendal na cena futurista? A aparição de Lázaro Ramos com um visual loiro, de mechas compridas e laterais raspadas, lembrou imediatamente Erik Killmonger, personagem interpretado por Michael B. Jordan em "Pantera Negra"!
A referência visual foi uma surpresa divertida e bastante pertinente ao universo da novela. O longa da Marvel apresenta Wakanda, uma nação africana fictícia que nunca foi colonizada e alcançou um desenvolvimento tecnológico extraordinário. Já A Nobreza do Amor construiu Batanga como um reino africano que luta para preservar sua independência e suas riquezas. Sacada genial, não é!?
Se havia alguém que precisava de um encerramento grandioso, era Jendal. E os autores encontraram uma solução bastante simbólica: depois de escapar da vigilância e tentar fugir durante as comemorações, o antagonista acaba atacado por uma serpente e despenca de um penhasco! Socorro!
A escolha conversa diretamente com a trajetória de crueldade do personagem, que utilizou o poço das serpentes como instrumento de tortura e morte contra seus inimigos. Ou seja, o homem que tantas vezes condenou outras pessoas a um destino aterrorizante acaba vítima de uma situação semelhante... Foi uma espécie de justiça poética, que agradou a parte dos espectadores.
Lázaro Ramos também merece um reconhecimento à parte. O ator construiu um antagonista detestável, ambicioso e ameaçador, mas sem perder a dimensão política do personagem. Sua despedida teve o peso que a trajetória exigia!
A morte de Mirinho, embora resolva definitivamente a trajetória do personagem, pareceu apressada diante da importância que ele teve durante a novela. Depois de abandonar Virgínia, roubar o dinheiro dela e fugir para São Paulo, o golpista se envolve com Matilde, mulher casada com Ademar. Ao ser flagrado na cama com a amante, acaba morto pelo marido traído!
A solução tem seu componente de ironia, já que Mirinho passou a história inteira agindo como mulherengo, interesseiro e manipulador. Entretanto, o encerramento acontece de maneira tão repentina que deixa a sensação de que faltou uma última grande consequência diretamente ligada aos seus crimes e à rivalidade com Tonho...
No X, antigo Twitter, espectadores também demonstraram frustração. Uma internauta classificou o desfecho como aleatório para um personagem que teve tanta importância na trama. Mirinho era um dos grandes antagonistas da história, ao lado de Jendal. Sua morte poderia ter sido mais desenvolvida, com um confronto ou uma conclusão que recuperasse melhor os conflitos que movimentaram sua trajetória.
Aqui está, provavelmente, a maior bola fora do encerramento. Depois de passar boa parte da novela perseguindo Alika, Virgínia termina ao lado de Sebastião, pai biológico do bebê que espera. O personagem assume a criança e, com a nomeação interina para a prefeitura de Barro Preto, ela ainda conquista a posição de primeira-dama.
É verdade que a vilã perde Mirinho, é desmascarada e precisa enfrentar uma humilhação pública ao reverenciar a antiga rival, agora rainha. Mas será que isso basta? A sensação é de que Virgínia termina com uma vida reorganizada, um companheiro e uma família, enquanto personagens que cometeram crimes muito menos graves tiveram consequências mais duras...